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08 de março de 2019 • 09h24 • atualizada 08 de março de 2019
Dia da Mulher: Os principais desafios no mercado de trabalho

Dia da Mulher: Os principais desafios no mercado de trabalho

Mercado de Trabalho

O Dia Internacional da Mulher é comemorado em 8 de março, data que simboliza a luta das mulheres contra a discriminação e a favor da igualdade de seus direitos civis, sociais, políticos e culturais. Hoje, tornou-se indiscutível como as demandas femininas e o seu empoderamento, sobretudo nas últimas décadas, alavancou uma série de mudanças sociais, responsáveis também pela transformação da sua atuação no âmbito profissional.

Atualmente, é perceptível como as mulheres vêm deixando as suas responsabilidades atreladas puramente ao ambiente doméstico e arriscando conquistar novos espaços dentro do mercado de trabalho. Mas, apesar dos imensos avanços ao longo dos últimos 50 anos, ainda há muito o que se percorrer. Por isso, nós selecionamos alguns dados interessantes para incentivar a reflexão sobre os inúmeros desafios que as mulheres enfrentam no mercado de trabalho. Acompanhe.

Presença feminina

Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio, realizada em 2013 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Brasil tem cerca de 103,5 milhões de mulheres, número que se aproxima de 51,4% da população total do país. No entanto, entre os anos de 2009 e 2013, a presença feminina no mercado de trabalho demonstrou um avanço tímido quando comparada aos anos anteriores. De acordo com informações divulgadas pela Cempre (Cadastro Central de Empresas), o período representou o aumento percentual de apenas 1,1 ponto desde 2009. Por isso, a apesar de serem maioria no Brasil, as mulheres ocupavam apenas 43% dos postos de trabalho formal em 2013 - época em que os homens representavam 57% dos trabalhadores.

Outro ponto interessante é que, conforme os números divulgados pela LCA Consultores em parceria com o IBGE, quase dois milhões de mulheres entraram no mercado de trabalho nos últimos sete anos. Os dados, divulgados no ano passado, demonstram um crescimento sutil, mas extremamente significativo. Em março de 2012, eram 37 milhões de profissionais do sexo feminino atuantes no mercado, enquanto em junho de 2018, o número já estava próximo dos 40 milhões.

Em parte, há quem explique essa tendência como um reflexo da crise econômica do país. Ao elevar os preços, a instabilidade financeira despertou entre as figuras familiares femininas a necessidade da busca por uma remuneração significativa para também contribuir com o orçamento doméstico, originando um fenômeno que vai na contramão do tradicionalismo que é pautado na figura masculina como o único responsável pelas contas da casa.

Cargos superiores

Além da dificuldade para conquistar o seu espaço no mercado de trabalho, as mulheres costumam se deparar com chances ainda muito menores de serem promovidas a cargos superiores, como gerência e chefia, por exemplo. Segundo dados divulgados pelo IBGE, referentes ao ano de 2016, entre os cargos gerenciais no setor público, 37,8% são ocupados por profissionais do sexo feminino, enquanto 62,2% dos postos de trabalho são masculinos. A tendência também se mantém entre os altos cargos do setor privado - 60,9% são ocupados por homens, enquanto apenas 39,1% são ocupados por mulheres.

Surpreendentemente, a situação pode se tornar ainda mais desigual entre as empresas de segmentos específicos. Em comitês executivos de grandes instituições do setor financeiro, as mulheres somam apenas 10% de participação. A compreensão da mulher enquanto uma figura frágil, que não se encaixa com a alta competitividade e agressividade dos “altos escalões”, é considerada um dos motivos balizadores para essa tendência.

Também é interessante analisar a questão sob a ótica histórica, já que existe a presença de um estereótipo social muito forte originado pelas dinâmicas sociais que foram fruto da Revolução Industrial. O fenômeno socioeconômico traçou uma “divisão” entre o ambiente doméstico e o profissional, pontuando que o cuidado com a família e com a casa seriam, a partir de então, uma preocupação puramente feminina, enquanto o homem deveria se ocupar do trabalho e, consequentemente, seria responsável pelo sustento familiar. Daí o mercado de trabalho começa a ser delineado como esfera desafiadora, em que a presença feminina é uma “quebra de padrões”.

Especialização

Apesar de a entrada no mercado profissional ser desafiadora e as mulheres ainda representarem menos da metade da força de trabalho atual, o sexo feminino vem buscando conhecimento e se especializando cada vez mais. Desde os anos 2000, o público feminino é considerado maioria entre os alunos matriculados e concluintes no ensino fundamental, ensino médio e ensino superior no país. O censo de 2010, publicado pelo IBGE, afirma que o número de mulheres com mais de 25 anos com nível superior completo dobrou na última década. Naquele ano, as mulheres não superaram os homens em apenas cinco carreiras universitárias.

Agora presente em quase todos os setores da comunidade acadêmica, o sexo feminino também vem demonstrando a sua força em carreiras antes predominantemente masculinas, como arquitetura, medicina, odontologia, administração e direito. No entanto, ainda é necessário estar atento ao “teto de vidro”, uma vez que a presença das mulheres ainda é predominante no setor de serviços, no emprego doméstico e em áreas com tradição considerada “feminina”, como educação, ciências humanas e artes, por exemplo.

Salários menores

Sem dúvida, um dos grandes desafios que as mulheres enfrentam no mercado de trabalho está na desigualdade salarial. De acordo com estudo da Organização da Cooperação do Desenvolvimento Econômico (OCDE), o salário de uma mulher brasileira com educação superior corresponde a 62% da remuneração recebida por um homem com a mesma escolaridade.

Segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), em estudo realizado em parceria com o Ministério do Trabalho e Previdência Social (MTPS) divulgado em 2017, a renda média dos homens brasileiros é de R$ 2.393, enquanto o rendimento médio entre as mulheres brancas é de R$ 1.831. O índice torna-se ainda mais preocupante no caso das profissionais negras, já que entre elas o salário médio cai para R$ 946.

Alguns especialistas pontuam que essa diferença salarial está diretamente relacionada ao fato de que as mulheres ocuparam postos de trabalho considerados “menos valorizados”. Estudos defendem que a natureza dos trabalhos desempenhados pelo sexo masculino e pelo feminino foi diferente ao longo da história, e durante muito tempo, as mulheres ocuparam postos de trabalho com valor monetário inferior. Logo, essa tendência, intrínseca a fatores sociais, seria um argumento que nos ajuda a compreender por que motivos as mulheres (ainda) ganham menos do que os homens.

No entanto, é fundamental pontuar que, para além de tal processo histórico, tais dinâmicas de “valorização do trabalho” não são totalmente verdadeiras na atualidade e, por isso, não há uma explicação racional sobre o porquê de as mulheres receberem, em média, 25% menos que os homens que desempenham trabalhos semelhantes, de acordo com os dados do Relatório de Desenvolvimento Humano do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), divulgado em 2016.

Jornada dupla

Como mencionamos anteriormente, a responsabilidade feminina em relação aos cuidados com o lar é uma característica intrínseca à nossa sociedade. Logo, quando a mulher parte em direção à conquista do seu espaço dentro do mundo profissional, ainda recaem sobre ela todos os assuntos que dizem respeiro ao bem-estar e à organização da família e do ambiente doméstico. Como consequência, é muito comum encontrar mulheres que dedicam outra larga quantidade de horas do seu dia aos afazeres de casa.

O documento “Estatísticas de gênero: indicadores sociais das mulheres no Brasil”, disponibilizado pelo IBGE em 2016, pontua que as mulheres despendem cerca de 73% a mais de horas aos cuidados de outras pessoas ou às tarefas da casa do que os homens. A média feminina é de 18,1 horas ao longo de uma semana, enquanto entre o sexo masculino, o tempo gasto com o trabalho doméstico é de 10,5 horas.

O resultado dessa jornada dupla e da ausência de tempo livre são mulheres extremamente sobrecarregadas e expostas a uma lista interminável de responsabilidades - tanto em casa quanto no trabalho. Assim, há também um tipo de cerceamento das atividades que desenvolvem no âmbito social, o que ainda pode explicar porque a mulher tem índices tão baixos de participação na política, por exemplo.

Profissionais e mães

A jornada dupla, mencionada acima, ainda nos faz refletir sobre a obrigatoriedade reprodutiva que recai sobre as mulheres. Dessa forma, não é incomum encontrar uma mãe e profissional que tenha sido demitida pouco tempo depois de voltar ao trabalho. Um estudo da Fundação Getúlio Vargas (FGV), realizado com 247 mil mulheres brasileiras, apontou que após dar à luz, mais da metade das profissionais foi demitida dentro de dois anos. Ainda, os resultados afirmam que, logo nos dois primeiros meses de trabalho após o retorno da licença maternidade - um direito garantido por lei -, as mulheres enfrentam até 10% de chance de serem demitidas.

Consequentemente, inúmeras profissionais altamente qualificadas para desempenhar suas funções não encontram no mercado de trabalho um ambiente compreensivo e acolhedor para desempenhar suas atividades maternas. O universo profissional é pautado pela ideia de que as mulheres serão mães em primeiro lugar e, por isso, deixarão de lado toda a sua dedicação ao trabalho - uma ideia já ultrapassada e que não é repassada para as situações em que profissionais do sexo masculino se tornam pais, por exemplo.

Papéis legislativos

Apesar de uma mulher já ter ocupado o mais alto posto do legislativo brasileiro, grande parte dos cargos eletivos e partidos políticos no país são dominados pelo sexo masculino. Em 2016, as mulheres corresponderam a apenas 10% dos assentos na Câmara e no Senado no Brasil. Na época, eram apenas 51 deputadas atuando em Brasília, e no Senado, apenas 13 mulheres eram titulares.

Outro índice interessante é que, segundo levantamento realizado pela Inter-Parliament Union (IPU), o Brasil ocupa a 154ª posição em um ranking responsável por medir a presença feminina entre os integrantes da Câmara de Deputados. O levantamento ainda coloca o país atrás de nações como o Afeganistão e o Egito, por exemplo.

E aí, qual a sua opinião sobre os números que indicam os diversos desafios das mulheres no mercado de trabalho?

Não há dúvidas de que as mulheres avançaram e estão conquistando cada vez mais espaço no mercado de trabalho, ressaltando a importância do respeito e, principalmente, da igualdade entre os gêneros. No entanto, neste 8 de março, é importante estar atento também às inúmeras conquistas que ainda precisam ser alcançadas e ao dever que todas nós temos de construir um futuro ainda mais justo e igualitário para as meninas que ainda irão trilhar seus caminhos profissionais - afinal, o conhecimento transforma o mundo, não é mesmo? :)

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